quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CAMARIM


João sabia que tudo era uma questão de tempo. Sempre me dizia isso, meio moleque, meio filósofo...
Porém - naquela noite - ainda com as mãos trêmulas e os olhos vidrados, seu rosto refletia naquele espelho de camarim o próprio engano. As lágrimas caldeavam-se com o sangue frio, sujo e amargo. E lambuzado de terror, com asco de si, jurava que aquilo jamais aconteceria novamente. Pobre João, Maldito João! Fungava que nem porco aquela Parca branca! Cheirando na esperança de não sentir mais vida, quando na verdade a vida não queria mais senti-lo. Ah, João! Você sabia que tudo era uma questão de tempo. Só não sabia que o tempo já não fazia mais questão de você. 
E sem maestria, cortejo ou pompa; despediu-se de cena, sem abraços nem Merda, da sua própria tournée.

3 comentários:

  1. JOÃO? PORRA Emmerson, há dois dias escrevi um texto onde o personagem se chama João.
    Que coisa hein!


    Mas é bom!

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  2. ...quantos "Joãos" encabeçam
    esta lista no anonimato?

    bj, menino!

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